History of Daman

HERANÇA CULTURAL

OCUPAÇÃO, LIBERTAÇÃO OU SUBJUGAÇÃO

O Estado da India segundo o Censo de 1930 tinha 637,846 habitantes dos quais o Censo de 1960 revela uma redução para 625,631 habitantes. Em Damão os 27,500 habitantes ficaram reduzidas à 22,242 habitantes. E enquanto o Censo de 1930 cobria uma área de 384 kilómetros quadrados com a ocupação de Dadrá e do Preganã de Nagar Haveli dois enclaves completamente separados numa distância de 35 kilómetros de Damão e inteiramente cercados pela União Indiana, a área ficou ainda mais reduzido para uns 74 kilómetros quadrados. O ambiente era relativamente calmo sen indícios de qualquer intervenção directa das forças armadas indianas. Havia é certo alguma intensidade na actividades dos chamados sathyagrahas esponsorado pela União Indiana que actuava esporádicamente nas fronteiras vizinhas à União Indiana e dava-se mais nos postos fronteiriços. Se depararmos no Mapa de Damão notaremos que tem um aspecto de um cão sentado com as mãozinhas a acenar plantado numa zona costeira que dá para o Golfo de Cambaia numa extensão litoral de uns 24 kilómetros banhados pela água lodosa da costa. Tem três rios que divide sendo um ào Norte denominada de Coileque or Kolak que separa o território delimitando com a aldeia do mesmo nome no Estado de Guzerate, Distrito de Bulsar. O Sandalcalo ou Damanganga que nasce nas terras do Kandesh e vem desaguar no mar arábico, divide o território em dois, denominada em Damão Pequeno da área mais vasta e Damão Grande de área mais pequena mas com o assento governamental ou seja a sede do Govêrno. E ào sul, o rio de Calem ou Kalai separa o território da aldeia de Phansa e Mohangam do Distrito de Bulsar do Estado de Gujarat. Assim a parte de Damão Grande consiste na coxa e nas patas em que se assenta, as áreas do Kachigam e Dalwada a indicar as mãozinhas a acenar e a parte superior de Patalia e Coileque a cabeça do cãozinho. Portanto as áreas mais sensíveis eram as que davam no pescoço, a parte interna do ventre, e a parte trazeira da coxa e cauda. Essas áreas eram frequentemente atacadas pelos elementos das forças indianas e quando a força portuguesa iam em socorro ou apoio, para repelir esses ataques, eram vítimas das armadilhas que para isso os chamados satyagrahas colocavam nos caminhos inevitáveis por onde esses socorros teriam de passar. Não eram os sathyagrahas elementos da população, mas sim elementos do outro lado da fronteira que vinham clandestinamente, e colocavam essas armadilhas para depois se retirarem. Conquanto a verdade seja dita, havia alguns que tomavam o abrigo da população devido àos laços de parentresco e efectuavam esse trabalho clandestinamente às vezes sem a família se aperceberem. Se o certo é que a população contentando-se com a sina, pois Damão era considerado um local de exílio e destêrro para os desventurados que incorreram na perda de confiança dos governantes, dissimulava o bem estar com o regime, também havia muitos que julgavam com racionalidade de que seria ainda melhor ser governados pela India do que por Portugal, pois se um Pais tão distante podia fazer o que os Portuguezes fizeram, com certeza melhor faria sendo governado pelos próprios. Porem isto passava em sonhos e nimguem manifestava os seus pensamentos contentando em tirar proveito do dia presente deixando os pesadelos de amanhã para o porvir. Para isso a força que os Portugueses mantinham no Território era considerado suficiente. Damão tem uma história que Camões diz ter sido consagradas nas suas pedras. Para mais também as areias da praia que reflectiam o ouro do sol e a prata da lua, após tamanha e tão fortes guerras que nela foram organizadas para a sua tomada, possessão, e subjugação que as pólvoras gastos encheram as areias numa cor tenebrosa, aflita e triste da dor e do pranto, convertendo essas areias tão brancas e lindas na côr fúnebre de luto e da solidão. A queda do Govêrno Britânico na Ĩndia em 1947 quando a Índia milenária se tornou independente unindo àqueles que aos Ingleses conseguiram governar mantendo desunidos, com o princípio de uma política de “divide and rule” que conseguiram manter uns trezentos anos do Império Britanico cuja parte a India formava. Isto foi agravado mais pela dismenbração e divisão do continente Indiano entre a Índia e o Pakistão em que houve uma luta fratricida entre os hindus e os muçulmanos, fomentados pela paixão religiosa e dum fanaticismo quáse sem igual, que dividiu o continente inteiro em grupos ou seitas religiosas que atacavam independentemente e em toda a parte na sua extensão do sub-continente. O processo de descolinazação em que muitos países em Africa esforçavam em adquirir as suas independências dos poderes soberanos europeus. O mundo de então era dividido em blocos – de capitalista representada pelos Estados Unidos de América e dos comunistas representados pela União das Republicas Socialistas Soviéticas representados pela Russia. Os países neo-independentes ficavan à mercè dáqueles que mais lhes ajudavam e assim a contenda para se esforçar maior e mais extensa coligação evolveu-se uma política de neo-colonialista em que o peixe de frigideira para escapar do calor do lume caía no fogo onde abrazava e acabava por se queimar. Nestas situações surgiram uma proposta dos Ingleses e Nato que decidiram levar Portugal em aceder à uma base americana na Ilha de Anjediva no oceano Índico, a semelhanca da base dos Açores, e isso mesmo na face dos comunistas russos que então estava a capturar a atenção dos indianos para um dos seus satelites. Isto fez que a União Indiana criada em 1947 forçado pela Russia que estava apreensivo com uma situação destas logrou logo activar a sua facção comunalista no sub-continente indiano, liderado pelo afamado V. K. Krishna Menon cujo partido esquerdista se juntára ao movimento de libertação or melhor não co-operação designados por 'satyagrahas', para o detronamento do Império Britânico na Ĩndia, e conseguiu alçar para o cargo de Ministro de Defesa da India logo após a India hastear-se numa República Secular SocialistaIsto em 26 de Janeiro de 1950. Após a saída dos Inglesses os Indianos negociaram com a França e depois pretendeu negociaçãoes com Portugal. O Govêrno Salazarista rejeitou a proposta alegando que o Estado Português era o mais antigo e não se sentiam necessidade de qualquer libertação. Em 02 de Setembro houve tumultos no Instituto Indo-Portugues em Bombaim. Em 1953 a India procurou desatar novamente as negociações oferecendo em manter os traços culturais e a língua, leis e costumes portugueses que foram novamente recusados, em que Salazar elaborou:-

“Nós não podemos, quer por plebiscito, quer sem ele, negociar a cessação ou a transferência de uma porção do território nacional e dos seus habitantes. Nenhum Govêrno Português o pode fazer, primeiro devido as exigências da Constituição, e depois devido aos ditâmes da sua consciência do homem.”

Não era apenas a India que cobiçava remover da sua face os últimos vestígios da presença estrangeira da peninsula hindustânica. Também no decorrer dos anos foram criadas partidos nacionalistas que também afirmavam os seus direitos, sendo de relêvo

O CONGRESSO NACIONAL (ESTADO DA INDIA) fundado em 1946 com uma acentuada tendência esquerdista chefiado por um Mangloriano de origem goesa chamado Peter Álvares e o apoio de Telo de Mascarenhas, e um outro dos seus membros mais activos o António Furtado editor da “GOA LIVRE”.

O PARTIDO NACIONALISTA DO PÔVO GOÊS formado por Divakar Kakodkar e George Váz fundadores da liga da Juventude Goesa Antifacista em 1944 que saíram do Congresso para se identificarem com o PARTIDO COMUNISTA INDIANO.

A FRENTE UNIDA DOS GOESSES de Francisco Mascarenhas e Waman Desai que também saíram do partido do Congresso em 1950 para fundar este partido com o objectivo de criar um ESTADO AUTÓNOMA DE GOA dentro da União Indiana, contra a ideia da sua anexação com o Estado vizinho de Maharashtra e assim proteger a sua identidade.

O AZAD GOMANTAK DAL ou seja A ASSOCIAÇÃO DOS GOESES LIVRES do V. N. Lawande, expulso do Congresso fundou neste partido em 1954 em Belgão com o apoio dos pan-indiano dos Hindus Extremistas e do Jan Sangh em que se encontravam afiliados os brâmanes Bhikhubhai D. Pandya e Motiram Joshi. Este partido exercia bastante actividades clandestinas dentro do Estado da India.

O COMITÉ DE ACÇÃO GOESA fundada em 1954 pelo Goês marxista Tristão Bragança de Cunha, intentado em coordenar a actividade de vários grupos empenhados na libertaçáo do Estado da Índia.

CONSELHO DE LIBERTAÇÁO GOÊSA formado por alguns católicos de Bombaim em Agôsto de 1954 presidido por A. Soares que foram activos na luta contra o domínio inglês e agora voltavan contra o regime fascista de Portugal.

As relações comerciais da metrópole com o Estado da Índia em 1953 representavam 0.75 por mil do comércio metropolitano. Da metrópole foram enviados 10 mil contos de mercadoria e o que foi importado nem chegou a um milhar. No comércio de Goa, Damão e Diu nada ultrapassou para além de 10% na importação e 0.5% na exportação. Contrastando isso as importações feitas pela União Indiana do Estado da Índia atingia 20% enquanto a exportação ia para além de 40%.

Num discurso proferido por Salazar em 10 de Julho de 1953 o Premier Portugues repetia

“Não podemos, quer por plebiscito, quer sem ele, negociar a cessação ou a transferência de uma porção do Território Nacional e dos seus habitantes, Nenhum Govêrno Português o pode fazer, primeiro devido às exigências da Constitutição e depois devido àos ditames da sua consciência de homens.

Em Junho de 1954 of CONGRESSO NACIONAL (ESTADO DA ÍNDIA) lançou o movimento denominada por “SATHYAGRAHA” em que preparavam elementos de manifestantes para a entrada no Estado sa India sob um movimento de resistência passiva. Os seus voluntários eram filiados por elementos do Congresso Nacional Indiano, o Jan Sangh, o Rashtra Sevak Sangh, os separatistas bem como os advogados de auto-determinação e o partido comunista.

A Comunidade dos Shahs de Dadrá assemelhavam aos judeus que controlavam a situação monetária do território e eram muito afluentes. Os varões andavam sempre preocupados em negócios para enriquecer a seita familial e nessa faina arranjavam o seu entretenimento sexual à margem desses negócios em que nunca eram compartilhados pelas suas cônjugues que arranjavam distração com elementos masculinos que tratavam e olhavam pela cozinha e limpeza das suas casas. Essas mulheres como nada faziam empregavam o tempo a comêr e armazenar gorduras no seu corpo que não faziam delas atraentes. Por isso qualquer pessoal doméstico eram usados para satisfazer os seus desejos. E enquanto os Shahs financiavam a ganhavam dinheiro com usuras e negócios de metais preciosos, havia uma outra comunidade dos Desais que na mesma situação olhavam pela agricultura, e semelhantes à estes, eles preferiam as forma esguia e formosa das moças do campo do que as suas espôsas. Haviam uma outra seita que era dos baias geralmente do norte da India que labutavam no pequeno negócio de compra e vendas de hostaliças e mercearias. Esses eram os elementos que formavam os habitantes da região que na sua maioria sendo tribos da região de Nagar Haveli que eram destacados em dois grupos como os Konkónes que falavam um idoma parecido como o marata e os Adivasis que falavam um idioma que assemelhavam o Guzerate. Esses na sua maioria habitavam nas florestas e sómente saíam durante o veráo para procurar trabalho de cultivação. As moças eram esbeltas e formosas mas devido a malnutrição envelheciam logo e nunca passavam para além dos cinquenta anos, pois a morte colhia logo.

A administração de Dadrá e Nagar Haveli eram divididos em doze patelados de Nagar Haveli e um de Dadrá onde um Oficial designado como Patel olhava pela administração do Concelho, era Regedor, Policia, olhava pela floresta da sua zona e era responsável pela ordem e paz na sua jurisdição. O Patel Francisco Machado era um homem que gozava das regalias que esse cargo lhe permitia usufruir, seja dentro ou fora da lei. Era um solteirão calejado e nunca pensava em casar pois tinha de tudo sem que nada lhe faltasse com a prerogativa de poder mudar das moças que lhe servia na cama sem a responsabilidade de subjugar a sua liberdade, nem sustentar os caprichos. Assim, sentia-se melhor e mais livre do que os inúmeros dos seus contemporâneos que não sabia quando iriam afogar-se no laço do matrimónio, perdendo tudo e muitas vezes até a sua identidade, transformando num sêr dócil, sem qualquer vontade ou iniciativa que não seja àquela dirigida ou imposta pela sua cônjugue.

Manibai, a espôsa do Navinchande era uma mulher que nutria uma afeição particular por ele, pois ào contrário dos outros serviçais que ela usava, ele sabia como os segredos que lha permitia uma satisfação sexual mais perfeita e completa que nunca até então conhecera. E por isso, ela sempre disfarçadamente premiava os esforços do patel oferendo uma quantia monetária para conseguir dele uma continua atenção, que para o Patel era muito conveniente e aumentava a sua fortuna. Alem disso a exportação da teca que fazia à sonbra da lei lhe permitia angariar finanças vendendo em Damão para construção das casas. A sua posição era muita boa e sentia quáse um príncipe com uma pequena zona à seu cargo.

O Chefe da Polícia tinha convocado uma reunião dos Patelados em Silvassa em Maio de 1954 e nàquela reunião expôs que segundo os serviços de inteligência tinha apurado que se estava em operação um plano para invasão de Silvassa e pediu que ascultassem as suas respectivas zonas para saber de qualquer actividade e imediatamente por têrmo à qualquer insureição. Também ordenou que qualquer informação fosse transmitida imediatamente.

Manibai nàquela tarde estava um tanto excitado. O que ouvira do seu marido Navinchande, decerto satisfaria o Patel muito e não sabia quando viria a escurecer para ir visitar-lhe. Logo pelas sete da tarde após servir o jantar ào seu marido, que já tombeava com uns copos que ela propositadamente deixou ào seu alcance, e decerto satisfeito de algumas escapadas que ele tivera durante o dia que derramara todo o seu esforço e entusiasmo, como já domitava, abandanou a casa e dirigiu os seus paços a residencia do Patelado que distava à um salto da lebre da sua casa. O patel estava em conversa um tanto importante com algo da administração, e estando ocupado não demonstrou a alegria que se sentia sempre que ela visitasse. Mas Manibai já lhe conhecia de há muito para que essas correntes de emoção lha viesse em perturbar. Seguiu para o quarto e calmamente esperava que o hóspede retirasse para confiar o segredo que ale trazia. Caíu numa sonolência bem ligeira e súbitamente acordou quando sentiu a carícia bem conhecida nos seus seios e uma passageira carícia dos lábios nos seus. Que diferença entre o seu marido e o Patel! Enquanto o seu marido saltava na cama e sem mais que ou porquê entrelaçava numa copulação brusca e violenta tal como os animais, este nunca aproximava dela sem lha acariciar lentamente e sábiamente sabendo como atear o fogo do amôr que irradiava todo o seu sêr na anticipação dum exercício que subjugava e dominava todo o seu sêr numa paixão descontrolada num abismo do prazer tão profundo que nunca e ninguem antes do Patel lha proporcionara. Sómente este pensar sempre quando acudia à mente, fazia sacudir o seu corpo todo num tremôr mixto de gôzo e prazer antecipado.

O Patel ouviu a narrativa que ela lhe contou e verificou certos dados de informação que ele já sabia, como o do Rakesh Sharma ser um membro da inteligência indiano e muitom amigo do Navinchande. Grato empregou mais um pouco de esforço que levou Manibai para um extremo dum orgasmo que se fosse possível, ela nunca saíria, mas a satisfação sexual explode num momento e desaparece para fazer vivêr numa nostalgia que parece nunca ser satisfeita por completo. Ele já sabia dos desígnios do Governo Indiano e como tal a aglomeração de elementos dos partidos indianos não lhe importunava muito porque sabiam que os elementos de sathyagrahas era uma forma de demonstração pacífica e portanto nada de pavôr. Mas a segunda parte da informação em que ela relatára que elementos das forças armadas também seriam integrados devidamednte armados junto dos sathyagrahas era o que mais assuatva porque sabia que uma vez começado o assalto as forças indianas usariam armas e então a força minimal que compunha a guarnição do território seria esmagado sem qualquer escrúpulo pois àquela força reflectia o sistema fascista onde elementos incitados pelo ódio e rancôr levaria o mesmo até extremos que causava um tremôr no mais íntimo do seu sêr. Conhecia bem o Chefe Aniceto e o seu patriotismo nunca lhe deixara dúvida alguma de que seria a primeira vítima vendendo a vida bem cara. Isso poria os outros aliás bem poucos também em perigo. Logo que pôde, confiou a mensagem pessoalmente ao Chefe que também estava ào facto disso, alertando Manuel Pegado a fazer o mesmo em Silvassa, cancelando as licenças do pessoal e deixando no estado de alerta se pudesse assim chamar, àqueles punhado de homens que nunca fora treinado nem enfrentara qualquer ataque ou combate.

Desde o dia 18 de Julho de 1954 elementos dos partidos citados vieram de várias partes do sub-continente Indiano e conglomeravam nos arredores de Dadrá um espaço de uns kilómetros quadrados onde funcionava a sede da Administração de Praganá de Nagar Haveli. Juntamente destes grupos elementos do exército indiano também sitiava os enclaves e um grande numero destes se juntavam com os Satyagrahas e sómente uma coisa os diferenciavam deles porquê esses contigentes embora à paisana, eram armados e possuiam matertial bélico do exército para intervir em momento apropriado. Entre outros os satyagrahas contavam o Senhor Telo de Mascarenhas, Waman Desai, V. Lawande, Gopal Appa Karmalkar, Tristao Braganca de Cunha, Bhikhumai Pandya, Motiram Joshi, Antonio Soares de Bombaim, que em 21 de Julho à noite marcharam com um grande multidao de elementos incluindo o exército, para o Posto Policial de Dadra situada numa pequena colina logo à margem da estrada principal que atravessava o território. Com slogans e gritos separatistas contra o regime sitiaram o posto e apelavam o pessoal policial para depôr as armas e renegar o regime fascista e colonialista. O chefe do Pôsto veio para fora e pediu-lhes para se dispersarem pacificamente. Mascarenhas intimidou dizendo que se nao depusessem as armas ele seria morto como um cão. O Chefe do Posto Aniceto do Rosario respondeu que não temia a morte e que defenderia o pôsto custe o que custar. Nesse momento, um elemento armado, necessáriamente do exército arremassou uma pedra em direcção ào Chefe que esquivou, fechou a porta e pôs-se à janela do primeiro andar. Repetindo que se não dispersasse teria que abrir fogo, e para apresentar que não brincava, disparou um tiro no ar informando que se não dispersasse, abriria fogo contra eles. Não se sabe bem a razão como iniciou o ataque. Uns dizem que o exército indiano não compreendendo bem a lingua portuguesa em que os aludidos elementos palestravam receando que os elementos do sathyagrahs sedispersassem, muito embora haja muitos que assertam que o colóquio verbal era também traduzido em lingua guzerate da região, e ainda outros atestam que o exército indiano súbitamente abriu uma rajada de metralhadora contra o posto. Seja como fôr, Aniceto do Rosario não hesitou em abrir fogo contra a multidão ordenando a sua forca policial para disparar em baixo alvejando as pernas e não o corpo. Isso permitiu que os elementos desarmados do sathyagraha pudessem abandonar enquanto muitos elementos foram feridos nessa situação sem lhes impedir recuar. Entao a situação virou e os elementos das forças armadas indianas tomaram cargo destacando em posicao, comecaram a atacar sem pausa o posto policial. Aniceto do Rosario bem sabia que o meterial que possuia não lhe permitiria mantêr por muito tempo, pois o que tinha a sua disposição era o necessário para enfrentar os sathyagrahas que geralmente fugiam após um tiro ao ar. Nestas circumnstâncias ele ficou obrigado em ordenar os seus homens que aram uns dez elementos mistos da Forca Policial e Guarda Rural para abandonarem o pôsto e seguir rumo à Silvassá ou Paço dos Arcos e sujeitarem ao destacamento do sub-chefe Manuel Pegado postado lá. Portugal por conseguinte perde 310 quilómetros quadrados de superfície que constituíam esses dois territórios. Foi o Ministro da Defesa Krishna Menon que ordenou sem o conhecimento do seu Primeiro Ministro Pandit Jawaharlal Nehru, que elementos das forças armadas da União Indiana disfarçassem com os elementos dos sathyagrahas para executar o plano de ocupação e queda dos enclaves de Dadrá e do Praganã de Nagar Haveli em 22 de Julho de 1954 que apresentou como “fait accomplis” que ainda mais vieram e causar maior contendas e desavenças agravando a situação semi-pacífica que até agora gozava. Por conseguinte os dois enclaves ficando separado e cercado pela União Indiana, em 1954. Damão sem poder fazer nada assitiu a caída dos respectivos enclaves sem fazer nada que pudesse ajudar os territórios de Praganã de Nagar Haveli que foi ocupada pelas forças armadas indianas disfarçados em satyagrahas. Na noite traumática de 22 de Julho de 1954 o posto policial de Dadra chefiado pelo Sub-Chefe da Polícia, o Damanense Aniceto do Rosário que com uma dezena de soldados mantinha desfraldadas a bandeira das quinas, enfrentou o bruto das forças e sabendo do sacrificio inútil exigido não voltou as costas e lutou até o derradeiro momento. Por Isso, enquanto o Guarda António Fernandes morria com o seu corpo mutilado de balas inimigas, o Sub-Chefe Aniceto do Rosario ferido ainda continuava disparando a metralhadora (a única que dispunha), contra os inimigos da Pátria, e vendo a luta desigual e escarniçada que se travava, ele ordenou os restantes elementos em abandonar o posto e retirar para Silvassa para se agruparem novamente lá. Nesta confusão que pairou, a porta de trás do pôsto ficou aberta e os atacantes observando a oportunidade que se lhes apresentava, imediatamente acostou dela entrou pela retaguarda. O Sub-Chefe Rosário, ainda num supremo esforço procurou voltar para atirar com os elementos que lhe atacavam de retaguarda, mas não podia manter-se por longo tempo, devido a força bruta dos atacantes, a mesmo ainda com o sopro da vida nele, a vingança indiana não deixou de atingir o seu cúme, esquartejando o corpo dilacerado e ferido do Heroi de Dadrá, mesmo ainda com vida. Isto foi muito aterradôr, pois nunca qualquer convenção internacional permitia que o inimigo fôsse tratado dessa maneira. Pode-se imaginar isso sómente das forças brutais e ferozes que deram asas as seus instintos animalescos e depravados. Sucumbe um homem da terra, natural de Damão, numa confrontação em que se comete um crime mais horroroso numa vítima no altar de sacrificios.

Esta obstinação português fora a causa de ainda mais agravar a situação entre a Índia e Portugal. O Delegado Soviético refere o caso do Estado da Índia para a Comissão de Curadorias das Nações Unidas em 04 de Novembro de 1954 para uma minuciosa fiscalização do desenvolvimento e da civilização do território. Porém Portugal foi admitido nas Nações Unidas sómente em 15 de Dezembro de 1955 e sómente então o assunto pôde verdadeiramente entrar no âmbito da ONU. Mas no entanto o assunto de Goa (a queda de Dadrá e de Praganã de Nagar Haveli) foi apresentado por Portugal no Tribunal Internacional de Haia em 22 de Dezembro de 1955. Na madrugada de 19 de Setembro de 1957 junto da fronteira à Nordeste de Goa o Pôsto de Canacona foi atacado em que todos os seus onze guardas foram mortos. Na noite anterior de 18 de Setembro o posto de Dodamarogo foi atacado onde o Tenente da Milícia filho de pais franceses, e nascido em Setúbal JEAN MARIE FILIOL DE RAIMOND que se tinha oferecido em 1954 para serviço militar na Índia, para onde retornara novamente em 1957, foi morto. Esses factos deram especulação e asas à Imprensa. Na sentença que proferiu em 12 de Abril de 1960 o Tribunal rejeita as objecções que a União Indiana levantara quanto à sua competência; reconhece a Soberania Portuguesa em Dadrá e Nagar Haveli; reasserte o direito do trânsito de Portugal através do Território Indiano relativo ao exercicio dessa soiberania, as pessoas privadas, funcionários civis e mercadorias em geral; MAS considera que o trânsito de tropas portuguesas através do Território Indiano seria dependente da autorização do Govêrno da Índia, e não pode ser exercido como um direito; Esta assumida vitória não serve a parte alguma, e pelo contrário foi a causa da precipitação dos acontecimentos seguintes como a total integração de Dadrá e Nagar Haveli em 11 de Agôsto de 1961 na República Indiana; a guarantia da cidadania indiana aos seus habitantes; essas duas legislações apresentadas no Parlamento Indiano integra na União Indiana dois antigos enclaves que distavam apenas 26 kilómetros de Damão e comprenendia 160 milhas quadradas de superfície e a cidadania de 51,000 dos seus habitantes, na sua maioria tribais.

Entrementes estava em consideração um pacto em que os Estados Unidos da América pretendiam estabelecer uma base aéria na ilha de Anjediva donde obteria um acesso directo e rápido contra os Comunistas. Isto não convinha ao bloco Comunista liderado pelo Krishna Menon que nàqueles tempos tentavam dominar o mundo e por conseguinte com a ajuda russa, este individuo procurava de todo o modo evitar tal situação em que poria a União Socialista Soviética Russa à mercê e ào alcance dos Americanos.

Os primeiros anos levaram o novo País conhecida então de União Indiana, em sair do estado caótico em que se encontrava e depois na sua reconstrução e utilização de recursos para governar condignamente. Quando sucederam nisto numa forma mais precária, intentaram impôr um bloqueio economico ào Estado da Índia.

Com o bloqueio feita pela União Indiana houve falta de redes para pesca, restrições locais devido as limites das águas territoriais e a falta do poder das compras. Isto reduziu as populações que em 1956 viram forçados, e quáse metade dos mouros emigraram para Moçambique e os machins para a União Indiana em Umarsadi, Danú e Bulsar. Foi em 1957 que a decisão do Tribunal International de Haia determinando o direito da Soberania Portuguesa em Dadrá e Praganã de Nagar Haveli que mais reforçou a decisão de se ver desnundado do colonismo na face do Sub-Continente Indiano.

O dia 17 de Dezembro, de 1961 raiou simples, serena e calma com um dia qualquer, sem indícios ou agouros de que qualquer cousa de importante sucederia num futuro não muito distante. A populacao de uns trinta mil habitantes que pertemcia na sua esmagadora maioria ao hinduísmo que contava quáse 77% com uns 16% muçulmanos e uma camada de 1% de agregadas ou as chamadas outras religiões em que se dominavam os parses ou zoroastrianos. O cristianismo não passava para além dos seus 6%. que tinha a maior representação na Praça, seguido nas aldeias vizinhas do Campo dos Remedios, Jumprim, Badrapôr, Damão de Cima e um punhado em Damão Pequeno, embora houvessem alguns espalhados como em Amaliá do Proprietário Fernandes e do Colono Furtado em Dabhel, locais fronteiriças com a União Indiana. Porém a locutora do All India Radio na sua edição em Português anunciava na preparação do campo para os ouvintes internacionais que havia insurreição nos territórios de Goa, Damão e Diu em que a população toda se levantou contra o exército Português e havia uma luta derradeira em que muitos elementos da população civil se tinham perecidos. A União Indiana esta olhar pela sitiuação muito tenso e com grande impaciencia e havia pressão governamental para que o exército Indiano fôsse em ajuda dos seus irmãos e conterrâneos que se esforçavam na sua luta contra o fascismo e em busca de independência. A sitiuação em Damão ào contrário se encontrava muita calma e pacífica, e o Governor Major António Pinto de Costa determinou que as forças armadas do território que orçava nuns 200 soldados madeirenses da Companhia de Caçadores de Madeira e outros 250 pessoais da força mixta de Polícia, Guarda Fiscal e Rural adicionado de uns 50 recrutas estivessem de alerta contra qualquer tentativo do movimento satyagristas como detonações de bomba ou coisa parecida em qualquer pôsto fronteiriço. O mesmo sucedia em Goa e Diu. As forças de que tinham em sua disposição era simplesmente para manter ordem e paz e não para uma defesa territorial tanto que as fronteiras com a União Indiana eram bem extensas e divulgadas em kilómetros entre montes, rios e vales. Uma força de 500 homens e três carros blindados eram insuficientes para enfrentar um ataque armado inimigo. As intellegiências revelaram que uma divisão de Gurkas a força guerreira mais célebre da União Indiana compondo de 1,500 homens estavam acampados na vila de Vatar por trás da Serra da Cruz. Mais um batalhão dos Sikhs composto de 3,000 homens da guerra estavam nas cordilheiras perto de Kuntá e Dabhel . Do lado de Damão Grande havia um acampamento de um batalhão de 3,000 homens Rajputs da força Indiana. E em toda a fronteira desde o Coileque, Kuntá, Vapi, Karambeli, Mohangam e Phansa havia contigentes das forças armadas indianas que sómente em Damão deveria orçar para cima dos 20,000 homens se encontravam prontos para enfrentar um combate derradeiro e renhida para a ocupação do territõrio que orçava uns 72 kilómetros quadrados.

Pinto da Costa era um homem da paz e viveu sempre como diz ele dentro da sua concha. Desempenha a sua função e volta para o seu canto. Viu é certo forças em acção mas remotamente e em situações iguais em que ele comandava e tinha os elementos necessários. Mas desta vez sómente o pensamento de uns 500 homens enfrentar 20000 era uma coisa fantástica, tenebrosa e até impossivel. Nenhum manual de guerra contemplava situações desta sorte, por mais treinados e destemidos que fossem. Seria mesmo condenar-lhes à uma morte sem qualquer oportunidade de defesa. Mas apesar de ser um homem da paz era investido dum fardo militar, treinado em batalha e além disso era Português. Vasco da Gama tinha dito à seu tempo que até os mares tremiam diante dos Portugueses. E muito embora tais palavras nunca sairam da sua boca a sua acção foi estremamente cuidadosa e pôsto em acção duma forma que nunca deixariam os enemigos supôrem de se tratar duma migalha de homens que defenderam o território por trinta e seis horas. Imaginem 500 homens contra 20,000 inimigos. Uma gota de água no oceano. A Serra de Cruz foi escarnecidamente defendida devido à situação estratégica que ocupava e onde situava a Tôrre do Comando do Aeropôrto, e por causa do Aeroporto pois os Portugueses pensavam que se alguma ajuda pudessem esperar seria por via aéria, muito embora ninguem detivesse em considerar como num espaço de uns kilómetros o avião poderia navegar e mal poderia aterrar, estando expôsto àos canhões antiaérios Indianos. Mas o coração não controla o cérebro que imagina situações inamagináveis. Poderia vir um vaso de guera e os aviões sobrevoarem bombardeando. Isto sempre acontecia nos filmes da guerra. Mas a força armada em socorro que vinha foi detido no Canal de Suez pelo Nasser um amigo de Nehru. Os paquistaneses deveriam abrir uma janela para deter a India e ainda vir em auxilio, porém não faz porque o Bloco Àrabe e a Inglaterra os aliados pedem para esperar e ver no seu estratagema sempre de ficar por um passao atrás quando mais se necessita. O Aeroporto foi tomado pela força Indiana e logo os Portugueses retomaram para novamente cair em possessão dos Indianos. Aqui o Tenente Santiago de Carvalho foi morto nestas lutas. Na sua Memória existe uma placa comemorativa celebrando crĩpticamente este facto numa Rua desconhecida em Lisboa. Da Fronteira do Dabhel entraram através das suas cordilheiras as forças indianas mas as metralhadoras automáticas dos portugueses liquidaram a primeira onda do assalto com uma rajada automática e intermitente sem pausa. Assim em toda a sua extensão, seja em Coileque ou na Serra da Cruz ou em Cuntá ou em Vapi e Karambeli, as forças portuguesas entriencheiradas lutaram contra as ondas das forças indianas que arrematavam contra as forças portuguesas. Aqui as ondas humanas eram mais velosos do as rajadas automática das metralhadoras e assim devido a escassez das munições tiveram que recuar. Milhares de homens da força indiana foram dizimados, e conta os agricultores que em seus campos havia muitos corpos sem vida e outros necessitando socorros. Contudo todos eles eram transportados em caminhões da armada e embarcado em comboios especiais para destinos dos Hospitais Militares onde os vivos chegavam mortos e os mortos já se vê devidamente certificados. No dia 20 de Dezembro sómente os capacetes e as armas desses soldados que foram carregados dos campos em Damão totalizavam em quatro caminhões militares. No ataque em Damão envolveram-se carros blindados e tanques fora os bombardeiros aéreos que destroçaram o mercado ao tentar alvejar o Quartel da Policia. Destruiram tambem algumas casas perto das praias, um troço da fortaleza de S. Jerónimo e ainda o frontespício da Igreja de Nossa Senhora do Mar. O Governador percorrendo o teritório vê-se obrigado em recuar e oferecer uma campanha para não permitir a entrada dentro da pequena cidade. Porém é ferido quando inspecionando as posições en Três Luzes ou Teen Batti quando uma bala traiçoeira do inimigo fere a sua perna. Elementos compostos de Sam Wadia, Kawas, Cunha e outros elementos tentam dissuadir o Governador da inutilidade duma luta renhida e render às forças indianas. Os Padres e outros elementos da população tambem roga o Governador para não expôr a população à uma morte certa. Tudo isso faz que Governador fica obrigado em içar a bandeira branca de render. Trinta seis horas dignos e valorosos que os portugueses defenderam levaram o Coronel Bonsulé que comandou o ataque em cumprimentar o Governador e os elementos das forças armadas que distinguiram Portugal levando-lhe a citar que eles não eram simplesmente oficiais da Policia ou força militar da paz mas realmente homens treinados da guerra que fizeram ver que a táctica era melhor do que a força bruta.