History of Daman

FOLKLORE DE DAMÃO

AI MORENA

Ai morena, Seria-me maior prazer,
Dançar o carnaval contigo,
Beijar-te a bôca, depois morrer.
Ai morena, O carnaval vem aí!
Ai Morena, Morena, tu és para mim.


A B C DO CORAÇÃO

Vem, vem minha flôr,
Não pode ser, vivêr, sem ter Amôr!
Vem, vem conhecer, o verbo amar,
E dá teu parecer.
Diz o ABC do Coração
amar alguem.
É sempre um bem,
Que nós devemos praticar.
Se o coração,
É professor nesta lição.
Fazer serão, vem minha flôr,
Vamos amar!


ALOMAI

O meu coração quiz voar, ...alomai quis voar um dia ào Céu!
Mas perdeu as forças no ar, ...alomai e caiu dentro do teu.

Na noite, pingas da chuva, ...alomai na noite sonhos de amor!
Na noite néctar de uvas, ...alomai, dentro dos braços seus.

Olhai, meu Deus, olhai ... alomai barquinha está balouçar!
Manda arredar barco grande, alomai, deixa a barquinha passar.

O mar, foi a tinta, ...alomai, peixe fou escrivão!
Só para escrever o amôr, ... alomai, no raiz do coração.



ALECRIM

Alecrim, alecrim, dourado,
Que nasceu no campo,
Sem ser semeado.
Ai meu amôr quem te disse a ti,
que as flôres do campo são o Alecrim.
Alecrim, alecrim àos molhos,
Por cause de ti, chora os meus olhos!
Alecrim, alecrim quando nasce,
Pouco a pouco firmamente enverdece!
Alecrim, alecrim querida,
guardarei no meu peito por toda a vida!
Alecrim alecrim que belo,
Como tu, não há flor mais firme e leal!
Alecrim, alecrim, amorzinho,
Ao pé de ti, é delicia e carinho


AI LUZIA MINH LUZIA

Ai Luzi, Luzia, minh Luzia, voss é meu amôr
Ai oss tê vai andando, minh Luzia, eu tambem tá vind.
Barra de Damão, minh Luzia,
Estreita e Comprida!
Alegre na entrada, minh Luzia,
Triste na saida.

Por amor de voss minh Luzia,
Eu fiquei soldado!

Fazendo sentinela, minh Luzia,
Levando chicotadas.

Amôr de soldado, minh Luzia,
Amor duma hora,

Ouvi rufinar caixa, minh Luzia
Laga e vai-se embora.

Comê areca beta, minh Luzia,
Não curpi no chão!

Cuspi no meu peito, minh Luzia,
Regai coração.

Amor não é fruto, minh Luzia,
Que gente tê vendend!

Amôr é par'aquel, minh luzia,
Que amôr entendend.

Já foi passeá, minh Luzia,
Calicachigão

Só pra visitar, Minh Luzia,
Familia de Falcão.

Ali na Badrapôr, minh Luzia,
Espalhada de flôres

A'ond entra e sae, minha luzia
Soldado de caçadores.



AURORA

Aurora, aurora, tu és a minha paixão.
Aurora, aurora, Venha ouvir esta canção!

Aurora dos meus amores, vem curar a minha dôr;
Só a ti, linda mulher, minha alma quer, falar-te de amôr!

A noite parece estar linda, com a sua luz de prata,
Com a luz de luar, venha ouvir cantar, esta serenata!

Se o Teu amôr é sincero, de ti não posso duvidar,
Quero que o teu coração, tenha compaixão, deste meu penar!



BEIJA-ME MUITO

Beija-me, beija-me muito: tal como se fôsse a última vêz!
Beija-me muito; porquê não quero beijar-te e perdêr-te outra vêz.

Não dês por finda esta hora, não vais indo embora, não saias daqui!
Penses que o mundo hoje é nosso, e amanhã já eu posso, estar longe de ti!

Penses bem, quanto é fortuito, querrer que possa o destino, guardar para nós dois!
Beija-me muito: porquê não quero beijar-te, e perder-te outra vêz!



BEIJINHOS DÔCE

Que beijinho dôce, que ela tem.
Depois que eu beijei à ela, nunca mais amei alguém.
Que beijinho doce, foi ela quem trouxe de longe para mim!
Um sorriso dobrado, um abraço apertado, que amôr sem fim.
Coração que ama, quando a gente chama,
Se estou perto dela, sem dar um beijinho, coração reclama!


BONECA COBIÇADA

Quando eu te conheci, o amôr desiludido,
Fiz tudo e consegui, dar vida a tua vida!
Dois meses de ventura, o nosso amôr viveu,
Dois meses com ternura, beijei os lábios teus!

Porém eu já sabia, que perto estava o fim,
Pois tu não conseguias vivêr só para mim!
Eu poderei morrer, mas os meus versos não,
Minha voz até o fim, ferindo o coração!

Boneca cobiçada, nas noites de sereno,
Teu corpo não tem dono, teus lábios tem veneno!
Se queres que eu sofra, é grande o teu engano,
Pois olha nos meus olhos, é que não estou chorando!


CABECINHA NO MEU OMBRO

Encosta tua cabecinha no meu ombro e chora,
E conta logo a tua mágoa toda para mim.
Quem chora nos meus ombros, juro que não vai embora,
Que não vai embora, que não vai embora.

Amôr, eu quero teu carinho, porque eu vivo tão sózinho,
Não sei se a saudade fica, se ela vai embora,
Se ela vai embora, se ela vai embora.


CASA PORTUGUESA

Numa casa portuguesa, fica bem,
Pão e vinho sôbre a mêsa!
E se à porta humildemente, bate alguém,
Sente-se à mesa com a gente.
Fica bem esta franqueza, fica bem,
E o povo nunca desmente.
Alegria da probreza está na riqueza
De dar e ficar contente.
Quatro paredes caiadas, um cheirinho à alecrim,
Um cacho de uvas douradas, quatro rosas num jardim!
Um S. José de azulejo, mais um sol da primavera!
Uma promessa de beijos, dois braços à minha espera!
É uma casa portuguesa com certeza,
É com certeza , numa casa portuguesa.
No cômforto probrezinho do meu lar,
Há fartura e carinho.
A cortina da janela é o luar,
Mais o sol, que bate nela.
Basta-me um pouco, poucochinho para alegrar,
Uma existência singela!
Um amôr, pão e vinho, um caldo verde verdinho
a fumegar na tijela.


CARTA DUM SOLDADO

Minha Maria, vou-te a carta responder,
Ai que alegria, tu me destes ào escrever!

Sinto orgulho aqui, por ser amado
Um grande orgulho, de estar longe e ser soldado!

Andam em guerra, três amores, sabes que mais,
Pela minha terra, pelo meu bem, pelos meus pais!

Quando fôres à rezar, meu amôr sem ter fim,
Se te deres por lembrar, pede à Virgem por mim!

Meu dever, têm-me aqui, Queria ver-te outra vêz...
Mas não volto para ti, porque sou Portugues.

Adeus Maria, esta carta vou fechar,
Até o dia, em que eu te abraçe, e volte ào lar!

Fala-me dos teus também, que eu por meu lado,
Eu estou bem, graças à Deus, Muito obrigado!

Adeus cachopa, meu endereço é sempre igual,
Manuel da tropa. Batalhão de Portugal!



CÁ DIZ ZÁ ZÁ ZÁ ZÁ ZÁ ZÁ

Cá diz za zá, zá zá, zá zá, saiu dizendo vou ali, e volto já!
Mas não voltou, porque, porque será, Cá diz zá zá zá zá zá...

Sem ela vou vender meu bungalô,
Qui tem tudo, mas não tem o seu amôr.
Sem ela para que serve, geladeira...
Pra que, ventilador,
Pergunta, ninguem diz onde ela está. Cá diz zá zá zá zá zá zá...


COMO É BOM GOSTAR DE ALGUÉM

Quando se tem um sofrimento, dôce momento, isto é gostar;
Quando se tem alma ansiosa, hora ditosa, isto é gostar.
Quando se sofre e se padece, e a dôr se esquese, isto é gostar!
Quando se vive na incerteza, tem a certeza, isto é gostar!

Ai como é bom gostar de alguém, vivêr, sonhar...
Ai como é bom gostar de alguém, sofrer, amar...
Ouvir dizer que sou feliz, como ninguém,
Com as nossas bocas vis-a-vis, dizer, como é bom gostar de alguém!

Quando se vai pela vida andando, triste chorando, isto é gostar;
Quando o ciúme um dia vem, por outro alguém, isto é gostar.
Quando a saudade fere e doi, Deus me perdoe, isto é gostar...
Quando souber como eu sôfro, dirás para ti, isto é gostar.


COWBOY

Eu sou Cowboy, capa traz duma fazenda! Nas horas vagas tambem toco o violão!
O meu cavalo, ai, ai, está ensinado, ai ai, levar bilhete para filha do patrão!

Quando monto no meu cavalo, jogo laço!
Prende logo, prende logo, o coração!
Eu sou cowboy e gosto imenso do abraço,
Mãos ào ar, mas não vale dizer não!

Que belas moças, solteirinhas ou casadas! Ào passarem pousam os olhos para mim!
Os seus maridos, ai, ai, Não podem ver-me, ai, ai, culpa não tenhos de ser bonito assim!


DAMÃO

Damão, sofreu a invasão, da Índia traiçoeira,
Que se quer tornar de libertadores!
Com fúria, maldade e ambição!
Damão não treme junto ào perigo,
afirmando com orgulho e nobreza,
O coração embora subjugados e cativos,
Querrer ser para sempre, Portuguesa.

Nunca deixastes de ser valentes
Mostrando bem à toda a gente,
A raça valente
Portugueses hoje e sempre!

Bem alto proclama ào mundo sem revezes,
Que enquanto houver portugueses
Serás sempre portuguesa.

Que importa a diferença da côr
Entre o indiano e o europeu !
A pele pode ser diferente,
Mas o sangue são iguais.
Duas cores não desmentem
Uma raça verdadeira
Também duas cores tem a nossa bandeira,
E representa um só País.


DESGARRADA

Ó rapariga solteira, toma atenção à que eu digo:
Se não tens mêdo da fogueira, salta a fogueira comigo!
Há lá fogueiras sem perigo, e essa é das tais que eu jurava:
Se eu saltasse consigo, já sei que não me queimava!

Canta o fado desgarrada, mas não canta uma vêz:
Quatro ou cinco são nada, Canta-te oito, nove ou dez!
Já que tens voz tão grossa, vais cantar fados à tua:
Deixe que fale com a moça, que não é minha nem tua!

Sou, não sou e nem sabe, de quem eu possa prender!
Agora dele quem sabe, talvez que venha inda ser minha!


DESPEDIDA

Adeus, praias, tão lindas tão belas, Adeus terra da minha paixão.
Que saudades profundas te deixo, bem gravadas no meu coração!

Uma noite, oh noite bendita, eu e tu a falarmos de amôr!
E às vezes sentados sózinhas, a gozar do belo luar.

Eu amei-te e amo-te ainda, Eu adoro-te e sempre farei;
Eu amei-te, beijei-te minha praia, até fundo do coração!

Adeus terra tão bela tão linda, onde as noites eu ia passar;
Mas perdoa-me se te digo o que sinto, eu amei-te com todo ardor!



EU GOSTO DELA

Eu gosto dela, porque o meu gosto, não é pecado;
Mas se acautela, vejam se há rosto, mais engraçada!
Vejam se há olhos duma rainha, como ela as tem!
Vejam que é minha, de mais ninguém.
Eu gosto dela, dàquele sorriso, tão meigo e triste.
Que se revela, o paraiso, ainda existe.
Boca mais linda, não vi ainda, nem pode haver!
Eu gosto dela, porque é mais linda, porquê é mulher!

Pois só agora, é que vi que me enganei,
Pela vida for a, com os sonhos que sonhei...
Mas ainda eu gosto dela, quando ela passar,
Feliz e contente, dizendo à toda gente, que eu não seu amar!


FONTE DE SETE BICOS

Se queres casar, anda meu amôs à fonte comigo,
Que eu peço ào Senhor, para casar contigo,
E vais ver, como eu te digo!
Casaremos na Igreja, para que o povo tenha inveja, da minha linda mulher!
E depois de casados, como somos educados iremos agradecer, à Fonte dos Namorados!

Iremos os dois pelos campos for a.
Para a senhora da hora,
Onde sem bailar não fica!
E depois de casados, como somos educados, iremos agradecer, à Fonte dos Sete Bicos!

Havemos de ter pequenos,
cheios de vida e morenos,
Como o sol do horizonte!
Lindas como Tia Anica, lindas como ficas, quando sais comigo à fonte,
À Fonte de Sete Bicos!


FOI DEUS

Se canto, não sei porque canto,
mixto de ternura, saudades venturas e sonho de amôr!
Mas sei que cantando, sinto mesmo quando,
Se tenho um desgôsto, ou pranto no rôsto, nos deixa melhor.

Foi Deus, que deu voz ào vento, luz ào firmamento
Deu ouro ào Sol, e prata ào luar!
Foi Deus, que me pôs no peito, o rosário das penas que vou desfiando, e choro à cantar!

E fêz poeta o rouxinol, e pôs no campo o alecrim!
Deu flôres à primavera, ai... e deu esta voz à mim!

Foi Deus, que deu luz àos homens, perfumou as rosas,
E deu o azul, às ondas do mar!
Foi Deus, que me pôs no peito, o rosário das penas que vou desfiando, e choro à cantar!

E pôs as estrelas no céu; e fêz o espaço sem fim;
Deu luto às andorinhas ...ai.... e deu esta voz à mim!


HISTÓRIA DUMA MULHER

A história, que eu vou contar, é história duma mulher...
Quem não conhece a vida, vai dizer que ela é uma qualquer.
Eu sou o homem que um dia, a deixou sem piedade...
E hoje vou pelo mundo, sofrendo esta grande saudade.

Estou arrependido, ai ai ai ai.........
De joelhos imploro oh meu Deus,
Que ela volte de novo àos meus braços,
E perdoe todos os erros meus!
Se ela não quer escutar-me, ai ai ai ai.....
Nunca, nunca quero o seu amôr;
Seguirei com alma em pedaços,
Para o inferno irei, pecador!


KANIMAMBO

Kanimambo, só contigo, eu consigo, entender o amôr!
Kanimambo, prêsos àos laços, dos teus braços, a vida é melhor!
É por isso, quando tu sorris, que o feitiço, me faz tão feliz,
E me obriga, a que eu diga, Kanimambo, como o negro diz!

Obrigado, Muchas gracias, Merci bien, Tudo é Kanimambo!
Taca chassa, Gratia plena, Many Thanks, Tudo é Kanimambo.

Kanimambo, se mais linda, fôsse ainda, a expressão do amôr!
Não te diria, como eu queria, o que és para mim. Não sei bem,
a razão porque, se é que fui bem, de ti não sei que.
E que ao ver-te, ser tão cruel, apenas digo, Kanimambo AMOR!


LÁ VAI A ROSINHA

Lá vai a rosinha, lá vai, lá vai, sózinha à cantar, lá vai, lá vai,
Olha a cantarinha, rosinha, que podes quebrar!
Lá vai a rosinha, sózinha a cantar, olha a cantarinha, que podes quebrar.

Eu digo com alegria, junto ào fonte e ào luar,
Basta-me tua companhia, para esta sede matar!
E se ali, tu me jurares, ser minha linda mulher,
Juro não bebêr água, doutro cântaro qualquer.


MARIA DE LURDES

Maria de Lurdes, teus olhos são estrelas, que brilham nos céus,
Estou sempre à vê-los, brilhantes e belos, guiados por Deus!
Maria de Lurdes, não faças sofrer, o meu coração!
Sem ti, podes crer, não posso viver, nesta solidão!
Maria de Lurdes


MARGARIDA VAI À FONTE

Margarida vai à fonte (bis) vai encher a cantarinha;
Brotam lírios àos campos,
Margarida vai à fonte, Vai à fonte e vem sozinha! (bis)
Tão pequena a casa dela, (bis) fica à beira do caminho;
E os canteiros da janeila,
Envolvendo a casa dela, tem aroma o rosmaninho! (bis).
Seus olhos, verdes e risonhos, (bis) nunca pensa em ninguém;
Parece viver de sonhos,
Mais tristes que risonhos, mais risonhos são também (bis)
Margarida quando passa (bis) leva saias de algodão
Tem vestidos da graça,
Quando ri e quando passa, pousando os olhos no chão (bis)
Tão pequena e tão airosa (bis) é a forma do seu andar:
Lembra o vôo das andorinhas Quando volta já a tardinha, quando gira de vagar (bis).
Linda flôr desconhecida (bis) que o sol beijou ào nascer:
Deixa-te estar escondida,
Margarida, Margarida, nessa paz do teu sorriso.(bis)


MALHÃO

Oh malhão, malhão, que vida é tua !
Comer e beber, ti rim tim tim, passear na rua.
Oh Malhão. Malhão, ó margaridinha!
Eras do teu mai, oh ti rim tim tim, e agora és minha!
Oh Malhão, Malhão, quem te deu as meias?
Que te importa a ti, oh ti rim tim tim, tinha as pernas feias (são as minhas da feira).
Oh Malhão, Malhão, oh malhão vai ver,
As ondas do mar, oh ti rim tim tim, onde vai bater!


MÃEZINHA QUERIDA

Minha mãezinha querida, mãezinha do coração!
Adorarei toda a vida, com grande devoção.
É tua esta valsinha, fôstes a inspiração!
Canto, querida mãezinha, esta tua cancão
Alegria, um prazer, uma grande devoção!
Neste dia, te desejo, com muito amôr e afeição.
Oh minha mãe minha santa querida, és o tesouro que tenho na vida,
Eu te ofereço esta linda canção, Mãezinha do coração!


MARIA GRALHA

Na noite de alegria, Maria gralha fêz gritaria;
Acudiu Maria abutre, amparou e consolou.

Maria gralha fez telegrama, seu morgado foi condenado;
Foi à prisão, coitadinha sem razão!

No dia de pagamento, Maria gralha fez sentimento;
Isso não é nada, só por causa duma pimenta.

Maria gralha à cozinhar, um barão à viziar;
Isso não é nada que Maria gralha a namorar!

Maria Gralha que bonita é, cuja mão já foi cair,
Eu não esperava, tão bonita rapariga.



MARIANA

Uma pequena, de côr morena,
Linda serrana, veio um dia à Lisboa!
Um marinheiro, louro estrangeiro,
Disse-lhe "OK", ela sorriu, ele abraçou!
E ào beija-la,quase à chorar,
Jurou levá-la para outra banda do mar!
Mariana, lá da serra,
Não deixes a tua terra,
Pra seres americana!
Oh tirana, que és tão bela,
Deixe o marujo ir à vela,
Tens cautela, Mariana!
Um certo dia, sem alegria,
Quando o sol dorme, sem querrer dar luz nem calôr!
Perto do Tejo, um longo beijo,
Partiu a marra, que prendia àquele amôr!
Tempos depois, Feliz talvez,
Ficaram os dois, na esperança de ser três!.


MORENA

Estou doente, morena, doente estou, morena,
Cabeça inchada, morena, dói, dói, dói!
Ai Morena, moreninha meu amôr; você pensa que eu gosto dela, morena,
Mentira morena, agora morena, não gosto, não.


MORENINHA

Um dia,lá no Sertão, encontrei uma moreninha:
Por ela me apaixonei, e nesse dia a jurei, que ela so seria minha!

Moreninha, moreninha, Moreninha tão querida,
Queira Deus você não seja, com uma graça sertameja, perdição da minha vida.

Viola, minha viola, acompanha-me esta canção:
Pois só tu minha viola, sabes dizer à crioula, quanto sofre meu coração!


PRECIOSISSIMA SERENATA

Oh que preciosíssima serenata, se eu fosse rapaz, faria amôr!
Ai que rigôr, escura e ingrata, O luar da prata, sempre inspirador.

Sem cantar, meu bem, eu não posso viver,
Pior mal talvêz, nunca mais querrer!
Não tolero pois, que não cantes também,
Canta linda vóz tem, que ninguém mais tem!

Só canta quem faz quem apenas deve,
Dizer bem de si e mal de nós.
Quem me dera homem, não mulher,
Para te provar, do que sou capaz!


QUERO, QUERO

Eu quero, quero, quero, quero, / Amanhã vou-me casar,
Já passei a roupa o ferro.
Já passei a roupa o ferro, / Já passei o meu vestido,
Amanhã vou-me casar, e o Manel é meu marido!

Todos me quer, eu quero alguem, Todos me querem, eu quero só um,
Quero meu amôr, não quero mais ninguem.Quero meu amôr, não quero mais nenhum

E o Manel é meu marido / E o Manel quem me adora,
E o Manel é quem me leva...da minha casa para for a.
Da minha casa para for a, da minha casa para dentro
É o Manel quem me leva, no dia do Casamento!


QUE SERÁ, SERÁ

Desde pequeno, sem cessar, busco saber, qual será o meu fim!
E olhando àos céus, sem esperar, eu vou pensando em ti.

Que será, será, o fim deste meu vivêr!
Se logo à chorar nasci, Sem porquê saber, sem porquê saber!

Vivo a sonhar um grande amôr, que seja a luz triunfal do teu olhar.
Mesmo suspenso, deste fulgôr, é sempre o meu pensar

Vejo os meus filhos, no futuro, dando a seus pais alegrias sem par
Sentindo embora, que estou seguro, é sempre o mesmo pensar!



SOU MARINHEIRO

Escrevi teu lindo nome, na branca areia do mar.
Vieram as tristes ondas, o teu nome apagar!

Sou marinheiro, nasci no mar,
Quando as ondas me vem beijar!
Digo altivo, rindo também,
Beijos das ondas são beijos da mãe!


SURUMBAI

No Inverno, rigorôso, surumbai, nasceu florinhas no chão:
Assim nasceu meu amôr, surumbai, dentro do meu coração.

Rosa Branca, bem querida, surumbai, no peito hei-de eu guardar.
Ainda que eu perco a vida, surumbai, amôr não hei-de largar!

Rosa nasceu da roseira, surumbai, roseira nasceu do chão:
A afeição nasceu dos olhos, surumbai, e o amôr do coração!

Alecrim quando nasce, surumbai, pouco a pouco enverdece:
O amôr quando é firme, surumbai, na ausência se conhece!



O VILÃO DE MOGARÁ

O Vilão de Mogará, para mim, mandou chamá,
A razão não sei porquê, minha vida queria tirá!

Soltá, para mim, largá, soltá para mim largá,
Deixá ir amim morrer, lá na praia de Damangangá.

O Vilão de Mogará, para mim mandou pegá:
A razão não sei porquê, minha vida queria lograr!

O Vilão de Mogará, para mim madou enforcá:
A razão não sei porquê, minha vida queria marrá!

O Vilão de Mogará, para mim mandou cortá:
A razão não sei porquê, minha vida queria roubá!



VIRA DE SAUDADES

Ai verdinho, meu verdinho, esquecer-te não há maneira;
Tu pra mim és pão e vinho, e a côr da minha bandeira!

Que me importa o verde ser verde, se me faz dançar na rua,
Ai verdinho, meu verdinho, não há côr igual à tua!

Ai verdinho meu verdinho, Se tu és o meu amôr,
No teu verde mais verdinho, vais pra mêsa do Senhor!

Ai verdinho meu verdinho, escorrega de vagarinho,
Apague-me esta fogueira, apague-me esta fogeira!

Ai verdinho meu verdinho, ouve lá o que te digo,
Não há pedras no caminho, quando tu andas comigo!



O ZÉ APERTA O LAÇO

Como ninguém lhe ligava, o Zé foi à cidade:
Pra ver se encontrava, para lá qualquer novidade.
Viu um laço, rica ideia, disse logo e foi comprar,
E Toda a genta da aldeia, começou logo a cantar:

Oh Zé aperta o laço, oh Zé aperta-o bem,
Que o laço bem apertado, ai oh Zé, fica-te bem!

Combinou-se o casamento, foi bem curto o namoro,
Pois até esse momento, ele ouviu cantar em côro!

Com o laço tão catito, como a vida se mudou,
Que até a Maria Rita, logo o José cobiçou!



O ZÉ APERTA O LAÇO

Como ninguém lhe ligava, o Zé foi à cidade:
Pra ver se encontrava, para lá qualquer novidade.
Viu um laço, rica ideia, disse logo e foi comprar,
E Toda a genta da aldeia, começou logo a cantar:

Oh Zé aperta o laço, oh Zé aperta-o bem,
Que o laço bem apertado, ai oh Zé, fica-te bem!

Combinou-se o casamento, foi bem curto o namoro,
Pois até esse momento, ele ouviu cantar em côro!

Com o laço tão catito, como a vida se mudou,
Que até a Maria Rita, logo o José cobiçou!